NEWSLETTER 25 de maio de 2020
 
CAMINHO é uma criação artística de Filipa Francisco para a Rede Artéria que será apresentada na zona histórica de Belmonte, a partir das biografias e narrativas dos residentes/utilizadores e a sua relação com a dimensão real/fictícia, poética, histórica, social e política dos locais, sobre o caminhar juntos, entrelaçando várias corporalidades.
 
 Costa da Caparica,
18 de maio de 2020 
 
 
Querida equipa,
participantes e público do projeto Caminho
 
devido ao Covid-19 todos os teatros, ensaios, eventos em espaços públicos e privados, ao ar livre ou em salas, workshops e outros foram cancelados. Nesta nova situação foi exigido o confinamento e o estado de emergência obrigou ao cancelamento das atividades.
Nestas circunstâncias foi importante pensar, de que forma continuar a trabalhar?
 
Para responder a esta questão precisámos de analisar em que fase do projeto estávamos e de que forma podíamos continuar ligados? Esta é a fase da investigação e as atividades presenciais passaram para plataformas virtuais, online ou por telefone.
Serve esta carta para vos dar conta das novas e velhas ideias.

Beijos por telefone
Filipa
 
 
 Costa da Caparica,
19 de maio de 2020 
 
 
Querida equipa,
participantes e público do projeto Caminho
 
 
Em cena desde 1996, NU MEIO ironiza a relação de um casal tipicamente português que se refugia no fado e no “maldizer”. O Homem – Firmino – demarca um território no meio do palco de onde as duas personagens não podem sair. A Mulher – Mila - tenta obsessivamente trepar, agarrar, sufocar este “homem-montanha”. O diálogo entre as personagens é como uma novela, cheio de lugares comuns, de palavras que explicam encontros e desencontros, de risos estridentes e de cânticos de igreja transformados em opereta. Os intérpretes usam, como base para os seus diálogos, acontecimentos recentes do país/cidade/ocasião em que NU MEIO se apresenta (podem ver aqui como foi em Castelo Novo / Fundão) .
 
 
 
 
 
NU MEIO e as suas personagens Mila e Firmino têm um caminho reivindicativo. Em 1996, no Dia Mundial da Dança, com organização da Associação Portuguesa para a Dança, apresentaram-se pela primeira vez na Culturgest. Nessa altura as personagens falavam sobre o desgaste rápido, sobre a intermitência, sobre a pouca valorização da arte e cultura. Hoje, em 2020, continuam a falar do mesmo. Mila e Firmino vão continuar com a boca no megafone...
Para completar estes diálogos, os criadores recolhem histórias de amor, através de entrevistas, a casais de diferentes gerações (no local onde se realiza o espetáculo). A esta recolha de histórias chamamos Gabinete de Histórias de Amor:

Transeuntes
através da criação de um “posto” com computador, colunas e ligação à internet via Zoom. Para este posto podem ser convidados os que queiram contribuir e não tenham acesso às tecnologias (40 min).
Dia 31 de Maio, 10h30 Castelo e 16h30 Pelourinho

Com os Parceiros
criar uma sessão de partilha, em determinado local (Centro de Dia, etc), em que o parceiro fará a ligação entre os utentes e NU MEIO (40min).
Dia 31 de Maio, 15.00 Centro de Dia do Colmeal da Torre.
 
Linha Mila e Linha Firmino
Através de telefone. Durante um determinado momento, podem ligar para as personagens. 
 
 
Beijos
da Mila e do Firmino
 
 
 Costa da Caparica,
21 de maio de 2020 
 
 
Querida equipa,
participantes e público do projeto Caminho
 
 
Com Tiago Pereira e Miguel Canaverde trabalhámos os materiais gravados: baile e entrudo do Colmeal da Torre. Revimos as imagens e percebemos o que é essencial. Após esta etapa concluída, o Tiago Pereira fez a banda sonora.
Do baile ficou a parte das imagens em que as pessoas sentadas observavam as crianças e alguns pares a dançar.
 
 
Do entrudo ficou a parte final, depois da procissão acabar, no largo da igreja, a queima do entrudo.
A peça poderia acabar com uma imagem projetada da queima do entrudo, pois ela representa o nascimento de algo novo, a partir do ritual de queimar o que está para trás, o passado representado pelo boneco de pano. Da queima do entrudo também ficou a ideia de trabalhar no escuro, só com o som da voz e instrumentos e de coros de maldizer. No caso dos coros, estes serão baseados em histórias recolhidas na zona de Belmonte e suas freguesias.
 
 
Beijos vermelhos
Filipa
 
 
 Costa da Caparica,
21 de maio de 2020 
 
 
Querida equipa,
participantes e público do projeto Caminho
 
 
Partituras para o desconfinamento
Esta newsletter foi criada como sendo um diário de bordo e mais um elemento de partilha do processo. De 2006 a 2009 trabalhei com uma coreógrafa do País Basco, Idoia Zabaleta. Estando à distância e querendo trabalhar sobre os conceitos de ser um outro (becoming other), memória e escrita/corpo, decidimos fazer um trabalho baseado na escrita de cartas. Este processo decorreu durante um ano, com o envio de cartas, uma vez por semana, e estas originaram um espetáculo, um livro e uma performance. Quando tivemos de entrar em quarentena, imaginei um processo que consistiria em manter uma intimidade à distância. Como criar um fio invisível e imaginário com uma comunidade?
 
Deixo-vos com a primeira carta que enviei a Idoia Zabaleta e dois desafios:
 
Desafio 1 
Este é um desafio para os queridos colaboradores, participantes e público.
Estas sāo instruções, com muito afeto, para a realização de várias ações físicas, que servem para se sair da caixa, ou daquilo a que estamos habitualmente acostumados a fazer. Fechar os olhos. Dançar com a banda sonora do baile e da queima do entrudo. E depois no silêncio. Dançar lento e depois com velocidade e força, deitando toda a energia para fora. Escrever numa folha, em escrita automática, sem levantar a caneta do papel.
 
Desafio 2
Escrever, escrever cartas a
o futuro.
“Querido Futuro....”
(escreve ao futuro, a um futuro daqui a 20 ou 30 anos, a 2040 e 2050, o que gostarias que fossem estes anos futuros, o que gostarias que mudasse? e envia para mundoemrebolico@gmail.com)
 

Beijos
flutuantes
Filipa
 
 
 
 
 
 
 
A REDE ARTÉRIA é um projeto de intervenção sócio-cultural, com coordenação artística do Teatrão e académica do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, que articula uma componente de programação cultural, criação, artística, acompanhamento científico e participação comunitária. Desde 2018, a REDE ARTÉRIA, cofinanciada pelo Centro 2020 - Programa Operacional Regional do Centro, tem promovido a criação e circulação de espetáculos em oito concelhos da Região Centro – Belmonte, Coimbra, Figueira da Foz, Fundão, Guarda, Ourém, Tábua e Viseu. A Rede junta artistas convidados a trabalhar nos contextos de cada um desses locais com os municípios, instituições académicas, agentes e estruturas sociais / culturais.
 
 
 
 
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